Publicado em 17 de abril de 2012 às 17:40

Pilotos defendem que recursos arrecadados em aeroportos sejam revertidos para melhoria de serviços

O Brasil precisa com urgência de “uma política para a aviação que saia das planilhas e entre realmente em execução”, defendeu hoje (17), no Senado, o presidente da Associação de Pilotos e de Proprietários de Aeronaves, George César Araripe.

Ao participar de audiência pública na Subcomissão Temporária da Aviação Civil, vinculada à Comissão de Serviços de Infraestrutura, ele reivindicou também que os recursos arrecadados nos aeroportos sejam revertidos para a melhora dos serviços. Na ocasião, foram abordadas as políticas públicas para o desenvolvimento da aviação no país.

Segundo Araripe, esses recursos “vão para o Tesouro Nacional e retornam minguados, que passa por contingenciamentos anuais. Grande parte do dinheiro vai para compor o superávit primário, que o governo faz todo ano”.

Integrante do Conselho Consultivo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Araripe disse que a concessão dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (SP) e Brasília (DF) mostra que o governo “está perdido e não sabe o que fazer ante uma situação de caos irreversível, sem solução no curto prazo.” Para ele, é preciso ouvir quem trabalha no setor. “Queremos apenas ser ouvidos e ajudar a melhorar, porque o setor aéreo tem que estar nas mãos de quem realmente entende do assunto, pois a aviação não é uma brincadeira”, disse o piloto.

Araripe sugeriu que o país implante uma política de exploração do tráfego aéreo com finalidade turística na Região Amazônica. Segundo o piloto, o turismo aéreo no Caribe arrecada anualmente US$ 240 bilhões.

A secretária de Navegação Aérea Civil da Secretaria de Aviação Civil (SAC), da Presidência da República, Clarisse Bertoni, reconheceu que “a saturação nos aeroportos atualmente é relevante”, e a frota aumenta 4,3% ao ano, com tendência de continuar nesse ritmo.

Segundo ela, a secretaria tem mapeado os desafios do setor, que estão contemplados em planos de ação que o governo procura implantar “com ampla participação da sociedade e das entidades setoriais”.

Já o vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Ricardo Nogueira, observou que é preciso dinamizar a aviação no país, setor que ele considera uma das “pernas” do desenvolvimento. “Mas é preciso ter condições de voar, ter reduzidos os custos nos aeroportos e ter lugar para desembarcar”, afirmou. A Abag tem 75 empresas de aviação associadas.

Por Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil